segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A dívida pública de Minas Gerais - História, situação atual, minhas conclusões sobre o assunto.

A pedido de um amigo querido, escrevo um post sobre a dívida pública de Minas Gerais. A sugestão dele, que eu escrevesse a respeito, se juntou a um desejo que eu já tinha de estudar o assunto dentro do meu interesse por política e pelas Minas.

1) A origem da dívida de MG com a União

A origem dessa dívida é comum a todos os estados do Brasil. Lá nos governos militares, o sistema tributário brasileiro era basicamente federal. Os estados tinham muito pouca receita própria. Ao mesmo tempo, eles se financiavam através de empréstimos externos e de seus bancos estaduais. Nessa época, MG tinha quatro bancos: Bemge, Minascaixa, Credireal e o BDMG, este um banco de fomento, com pouco dinheiro em caixa. 

Esses bancos estaduais funcionavam, na prática, como uma extensão do caixa do governo: financiavam o déficit do estado comprando títulos da própria dívida estadual, muitas vezes sem lastro real, numa época em que praticamente não existiam regras de transparência ou responsabilidade fiscal. Enquanto a inflação era alta — e no Brasil pré-1994 ela era altíssima —, esse esquema conseguia se sustentar, porque a chamada "receita inflacionária" (o ganho que bancos e governos obtinham ao rolar dívidas e reter recursos num ambiente de preços em disparada) mascarava o rombo real das contas públicas.

Na transição Itamar/FhC (superlativo de PhD, segundo Millôr, não resisto) veio o Plano Real e a inflação simplesmente "sumiu". E aí, a "maré baixou" de uma hora pra outra e, quando a maré baixa assim, deixa exposto quem nadava pelado (Warren Buffett). 

Sem a inflação, os bancos estaduais, todos eles, ficaram insolventes. Isso não era só um problema fiscal dos estados: era um risco sistêmico para todo o sistema financeiro nacional, já que bancos estaduais quebrados ameaçavam contaminar o sistema bancário como um todo. Estima-se que, até 1993, a dívida dos estados com a União havia triplicado desde 1983, chegando a cerca de 40% da dívida pública total do país.

Diante disso, a União optou por intervir de forma coordenada, em vez de deixar cada estado quebrar isoladamente ou negociar dívida por dívida com o mercado. Foi esse o papel da Lei 9.496/1997 combinada com o PROES (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária): o governo federal assumiu as dívidas estaduais — inclusive as originadas da liquidação ou privatização dos bancos estaduais — convertendo obrigações de curto prazo e taxas voláteis de mercado em um único financiamento de longo prazo (30 anos), com condições contratuais fixas. Em troca, os estados tiveram que aceitar contrapartidas duras: privatizar ou liquidar seus bancos estaduais, parar de emitir novos títulos de dívida para se financiar e se submeter a metas de ajuste fiscal. Essa operação, aliás, foi o prelúdio direto da Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000, que institucionalizou esses limites para todos os entes federativos.

No caso específico de MG, ainda teve um outro fator que impactou as receitas de Minas de maneira particular: em 1996, para estimular as exportações, o governo federal simplesmente eliminou a cobrança de ICMS de exportação para produtos primários e semielaborados. A famosa "Lei Kandir". Minas, produtor de matéria-prima até no nome e desde sempre, deve ter sido o estado mais prejudicado por essa medida. 

As estimativas variam conforme a metodologia e o período considerado: uma comissão extraordinária de 2020 calculou perdas de cerca de R$ 135 bilhões entre 1996 e 2015; um levantamento mais recente do Sindifisco-MG e da Affemg, aplicando o mesmo índice usado para corrigir a dívida do estado com a União (IPCA + 4% ao ano) — o que torna os dois números comparáveis —, projeta perdas acumuladas entre 1997 e 2024 superiores a R$ 408 bilhões, com o ano de 2024 sozinho representando mais de R$ 53 bilhões. Em compensação, a União concordou em repassar a Minas apenas R$ 8,7 bilhões até 2037, dentro de um acordo nacional homologado pelo STF em 2020, que distribui até R$ 65,6 bilhões entre todos os estados e municípios — uma fração pequena diante do que se estima que Minas perdeu.

Resumo: o refinanciamento não foi uma decisão isolada sobre Minas Gerais, mas parte de um resgate nacional necessário porque o fim da inflação alta escancarou uma insolvência que já vinha sendo construída havia anos pelo modelo de financiamento estadual via bancos públicos e títulos — e que, sem a intervenção da União, ameaçava tanto as finanças dos estados quanto a estabilidade do sistema bancário recém-conquistada pelo Plano Real.  

O detalhe, aquele lugar onde mora o coisa-ruim, o capiroto, é que as condições desse "socorro" (índice de correção IGP-DI, juros compostos) acabaram fazendo a dívida crescer muito mais do que o valor original assumido em 1998.

E MG ainda teve a "tunga do bem" do sumiço do ICMS sem uma compensação.


2) Evolução do problema

O problema que essa dívida teria se tornado foi percebido muito cedo. E ações foram tomadas para repactuá-la ao longo do tempo. Algumas ações foram "globais", para todos os Estados, e outras, com impacto somente na dívida mineira.

A primeira repactuação foi em 2014, feita para todos os Estados. 

Ela trocou o índice de correção do IGP-DI (que havia acumulado inflação bem mais alta que outros índices) para o IPCA, reduziu a taxa de juros de até 7,5% para um percentual fixo de 4% nominal ao ano sobre o saldo corrigido, e ainda concedeu descontos baseados na variação acumulada da Selic desde a assinatura dos contratos originais. Foi uma melhora real nas condições, embora tardia — boa parte do estrago dos juros compostos já havia sido feito nos 16 anos anteriores.

Em 2016, ampliaram-se os prazos de pagamento em até 240 meses adicionais e concedeu-se uma redução extraordinária (praticamente uma suspensão parcial) das prestações por seis meses, com alívio decrescente até meados de 2018. Em contrapartida, os estados aceitaram um teto de crescimento das despesas primárias atrelado ao IPCA — precursor, em escala estadual, do que depois seria formalizado nos regimes de recuperação fiscal. Essa repactuação coincide com o auge da crise do governo Pimentel em Minas.

Em 2016, ainda no governo Pimentel, uma liminar do Supremo suspendeu por até cinco anos os pagamentos da dívida mineira com a União — não por uma renegociação contratual, mas por decisão judicial. Foi esse "colchão" que Zema herdou ao assumir o governo em 2019.

Em 2022/23, Zema tentou levar Minas ao Regime de Recuperação Fiscal (criado em 2017 pela LC 159), mas o processo emperrou politicamente por anos, sem avançar de forma definitiva na Assembleia.

No fim de 2023, com a moratória, conseguida no governo Pimentel, prestes a vencer, Zema entrou no STF pedindo nova prorrogação. Conseguiu mais sete meses. 

Importante citar que, durante todos esses meses em que a dívida ficou sem ser paga, os juros continuaram sendo acrescentados ao seu saldo. No total foram 21 meses de moratória.

Em julho de 2024, a Assembleia aprovou a entrada no REFIS, refinanciando 160 bilhões por até nove anos, com uma carência de um ano.

Em janeiro de 2025, MG migrou para o Propag (Programa de Pactuação e Fortalecimento da Gestão Fiscal), um regime mais recente que mantém a correção por IPCA + 4% (com possibilidade de redução a zero), mas permite prazos de até 30 anos e um abatimento de até 2% do saldo devedor mediante federalização de ativos do estado — condições mais favoráveis que o RRF puro.


3) E nos outros estados, o que aconteceu?

Dos quatro grandes devedores que recorreram ao RRF, MG, RJ, RS e GO, Goiás foi o que se saiu melhor.  Até já saiu do regime, bem antes do prazo. Era o que devia menos, mas é a menor economia dos quatro.

SP tem a maior dívida, mas nem precisou do RRF. Como também não acionou a Justiça, tornando-se inadimplente, a dívida cresceu pouco, 22,3%. Minas, com as "pausas judiciais", teve a sua dívida crescendo 87%, o maior crescimento entre 2018 e 2025 dentre os grandes devedores.

3) Coisas que eu acho que acho a respeito desse assunto

Algo que começa errado não tem como dar certo. A forma como foi "pactuado" (leia-se, imposto) o pagamento dessa dívida, com juros compostos, sem nenhum abatimento inicial, fez dela uma dívida impagável.

Diante disso, repactuações foram necessárias e ocorreram. O problema, contudo, permanece, em graus diferentes para os diferentes estados.

Em MG, tivemos ainda o impacto relevante da Lei Kandir, que "sumiu" com parte significativa da renda do Estado.

Em Minas, os últimos dois mandatários lidaram, na minha opinião, de maneira  inadequada, pra ser gentil, com o problema. Pimentel, durante seu único mandato, judicializou a questão através de liminares, que cedo ou tarde seriam repactuadas. Ele governou durante Dilma II e Temer. Com Dilma tinha a melhor interlocução possível, conterrâneos e parceiros desde a guerrilha. 

Tá certo que o mandato dela durou pouco, menos de dois anos, e foi crise em cima de crise, mas dado o tamanho do problema, ele poderia ter escolhido o caminho da negociação em vez de judicializar. Ou então simplesmente seguir pagando.

Aí veio Zema. Herdou uma situação das contas do Estado bem complicada, é verdade. Porém, ele deixou rolar num primeiro momento o problema da dívida, "surfando" na judicialização do Pimentel. Havia um governo "amigo" no Planalto. Pode ser até que ele tenha procurado o governo federal e ouvido um "não" do Guedes, mas não se tem notícia de que isso ocorreu.

Quando a moratória do STF acabou, ele judicializou a questão novamente. Já estávamos sob Lula III, uma relação que ele sempre conduziu muito mal. 

É só comparar com Tarcísio, que em seis meses de governo estabeleceu uma parceria de investimento com o governo federal para o túnel Santos-Guarujá. Ele até tentou crédito para fazer sozinho, não conseguiu. O governo federal ofereceu o aval e ainda entrou com parte do faz-me-rir. 

Uma obra de R$ 7 bilhões, que Tarcísio inaugurará, caso reeleito, às vésperas da campanha presidencial de 2030. Outras parcerias vieram entre o governo federal e SP.

Zema passou todo o seu governo hostilizando o Presidente da República  de graça, se negando até a recebê-lo em suas visitas ao Estado. Jamais recebeu um troco à altura; não é o estilo do Lula.

Pode-se acusar Lula de muitas coisas e, em muitas delas, ter-se razão. Agora, ele sempre teve uma relação adequada com governadores de oposição. Minas só perdeu com as molecagens de Zema, incluindo o agravamento do problema da dívida.

Lula tem uma ótima relação com o Rodrigo Pacheco, então presidente do Senado. Pacheco, por sua vez, se empenhou publicamente para encaminhar uma solução para o problema. A imprensa registrou isso por diversas vezes:



Não se tem notícia da participação de Zema nessas iniciativas.

Durante sabatina conjunta da Folha/UOL, Kalil, afirmou que o estado "não tem dinheiro" e defendeu uma renegociação da dívida estimada em cerca de R$ 200 bilhões com a União. Ele comparou a relação federativa a uma família, dizendo que o estado é o 'filho' e o governo federal é o 'pai."

Mostra que entendeu o tamanho do problema e que procurará o governo pra negociar, caso eleito.

Político falando como político. É isso.

* Este texto foi escrito com a ajuda da IA Claude.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Porque não sairei perdendo na eleição de domingo

Digo que sou um cara de direita e me orgulho disso. É só ver o meu lema do zap para comprovar. Numa conversa mais longa, porém, digo que sou um "iluminista", alguém que acredita e pratica os ideais "Razão, Ciência e Humanismo" que Burke, Kant e outros enxergaram na virada do séc. XVII por XVIII.

Uma dessas ideias é: "Ouse entender!" E porque entender seria um ato de ousadia? Por algumas razões: primeiro a gente tem que se desprender das nossas próprias ideias, e isso é desafiador. Convencer a nós mesmos de nossa própria ignorância exige tanto esforço quanto convencer outros, às vezes mais. 

Segundo porque significa também assumir as consequências das nossas escolhas ruins: se escolhi o que não deveria, tudo o que essa escolha trouxe de errado é tb responsabilidade minha.

Terceiro porque a busca do novo e o assumir uma nova opinião incomoda. Temos visto isso nesses tristes tempos em que vivemos, né? De repente amigos que víamos como pares passam a nos questionar, às vezes de maneira incisiva, porque "sendo quem somos" (na verdade a ideia que fazem de nós) passamos a, "de repente", adotar ideias que destoam da eles próprios, com as quais antes concordávamos.

Dito isso, assumo que mudei de ideia, mais uma vez. Sou um tanto "destemido" nessa coisa, e contrariar o senso comum já me doeu, hoje não mais. Fui seguindo "gauche na vida", como escreveu o nosso poeta maior.

Votei em Jair Messias/2018 no segundo turno. Não vou detalhar aqui que raciocínio me levou a fazer  isso, mas a razão é uma só: fui um tanto burro. Ele dizia quem era e o que queria fazer e eu pensava: "nada, ele não será tão doido, está falando isso mas o Congresso, os militares e o Guedes vão contê-lo".

Pois ele foi eleito e fez ou tentou fazer tudo que prometeu, e ainda pior. Caí na real com poucos meses de governo, ao ver as monstruosidades que começaram a acontecer na área ambiental, que acompanho de perto por ser "do ramo". Depois vieram outras barbaridades, pandemia, Orçamento Secreto e outras barbaridades, pra reforçarem meu arrependimento.

Daí veio o problema: escolhas tem consequências, e eu me considero responsável pelas que vem das minhas. Quando vejo a destruição causada pelas políticas ambientais, me sinti responsável. Quando vejo os agrotóxicos serem liberados sem nenhum critério objetivo, alguma resonsabilidade tive. Quando vejo uma menina atirando na nuca da coleguinha com a arma adquirida com as facilidades criadas pelo presidente, sei que quem colocou essa arma na mão da criança foi ele, e já que ajudei a colocá-lo lá, fui também um pouco responsável. Quando ele bota pra rodar o maior esquema de compra de votos no Congresso de que já se teve notícia, porque não se pode mais identificar o ladrão, me senti o otário que entrega a chave do cofre pro vagabundo.

Por essas e outras, domingão irei de 13, assim como fui no primeiro turno. E não "perderei meu voto", de toda forma, porque:

Ganhando Lula, terei ajudado a livrar meu país de um sujeito que PROMETE que vai arrebentar a nossa democracia. Não acho que tenho mais o direito de não acreditar nele, de menosprezá-lo. O PL, partido do presidente e tb do Valdemar da Costa Neto, que cumpriu pena no Mensalão mas se tornou um homem honesto, tem agora 99 deputados, 20% do Congresso. Com esses caras mais o esquema que Bolsonaro entregou na mão desse povo para roubarem a mais não poder e não serem apanhados, ele aprovará qualquer barbaridade que quiser, e ele quer muitas, como aumentar o número de ministros do STF para capturar a única insittuição que ainda lhe põe algum freio, aumentar ainda mais as facilidades para compra de armas e destruição ambiental, dentre outras.

Dado o elenco de apoios que Lula costurou, tenho comigo também alguma esperança de que ele, apoiado por gente feito Meirelles, Tebet, Alckmin, economistas do Real e tanta gente boa que o tem apoiado, mais o acolhimento que ele certamente terá nas democracias relevantes mundo afora, voltarei a me sentir como Suassuna sobre o Brasil: serei "um pessimista esperançoso". 

Ganhando Bolsonaro... bom, aí pelo menos meu dedo não estará mais junto com ele no gatilho que matará cada vez mais crianças e inocentes no Brasil. Quando a democracia se deteriorar e eventualmente for pro espaço, não estarei entre os que contrataram isso. Sofrerei pelo sofrimento alheio, mas não mais pela minha responsabilidade nas sandices que virão. E vai por aí afora. Como diria o grande filósofo Capitão Fábio...

Enfim, poderei fazer minhas as as palavras de Darci Ribeiro: "perdi, mas detestaria estar entre os que venceram". Não estarei, não mais.

Para mim, isso é muito. 

Além disso, nos últimos meses, desde que entendi que "terceira via" era só um wishful thinking da imprensa nem-nem, tenho combatido o bom combate, procurando mostrar, às vezes com algum sucesso, que votar em Bolsonaro é contratar o maior ataque à nossa democracia desde 64, além de tudo o mais de ruim que ele trará. Pesquisei, li, encontrei argumentos,desmenti fake-news, estressei um tanto meus amigos que talvez me entendam lendo esse texto, enfim, fiz campanha para a única alternativa democrática que há disponível no domingo.  

É isso. 

Abracadabraço!

domingo, 3 de maio de 2020

No Cantinho do Céu não tinha Ayrton Senna da Silva

Esse texto é dedicado ao Bado, meu irmão querido.


Bado, que nos nos deixou no dia 9/6/2023




Dia 3 de junho de 1984. Morávamos eu, Bado e Cascão numa casinha simpática numa rua de terra num bairro de Viçosa chamado Cantinho do Céu, que dada a feiúra apelidamos de Beirolinha do Inferno.

Domingão dia de Fórmula 1. Normalmente a gente teria ido pra BH, principalmente o Bado, que não ficava quase fim de semana nenhum em Viçosa. Por alguma razão que me escapa, ficamos. Acordamos naquela ressaca domingueira, ligamos a TV e... nada!!!

A TV simplesmente chiava, fora do ar. Nos afligimos, afinal de contas era Mônaco, né? Saimos de casa pra tentar entender se o problema era só lá e demos de cara com o Chiquinho, amigo e colega de trabalho na carpintaria da Universidade onde eu e o Bado dávamos expediente.

Criador de curiós e morador do morro em frente, o Chico passeava com um de seus passarinhos. Fazia isso com o braço esticado e a gaiola na palma da mão, de olho no bicho e se deliciando com seu canto.

Também ele fã de Fórmula 1, veio confirmar se o problema rolava também em casa. Diante da confirmação, bateu o desespero, mais nele e no Bado que eram bem mais fãs que eu.

Aqui começava nossa saga.

O Chico disse que tinha um amigo que morava por ali que era o técnico responsável pelo posicionamento das antenas de recepção de sinal do satélite para distribuição pela cidade. Pegamos as bicicletas e corremos até a casa do cabra. Lá chegando demos com a cara na porta, mas uma vizinha nos deu a dica: o cara era membro da Igreja Presbiteriana, e devia estar no culto da Primeira Igreja a aquela hora.

O Bado e o Chico resolveram então que devíamos ir lá e tentar convencer o cabra a resolver a questão.

A Primeira Igreja Presbiteriana de Viçosa ficava na P. H Rolfs, "avenida" que dava acesso ao portão principal da UFV e era longe pra cacete de casa. Toca a pedalar e rápido (tava chegando a hora da corrida). Lá chegando o Chico, que conhecia o cara, entrou na Igreja (que tem bem uns 500 lugares) no meio do culto, achou o cara e o levou pra onde a gente tava, do lado de fora.

O sujeito então nos explicou que estava acontecendo um procedimento de ajuste na antena que seria interrompido só à tarde, ou seja, em Viçosa não ia rolar de ver a corrida. Tentamos convencê-lo a interromper o tal procedimento, o que obviamente ele se recusou a fazer. Mas nos deu uma dica: em Silvestre, um bairro bem pra lá lá de casa talvez fosse possível assistir a corrida, já que o sinal de Ponte Nova chegava até lá, a depender do lugar.

O Chico então se lembrou de um outro amigo que tinha carro e era também tarado por F1. Toca a pedalar até a casa do cara, acordá-lo e convencê-lo a ir tentar ver a corrida em Silvestre nos levando junto.

Só tinha um problema: o carro do cara tava quase sem gasolina e posto nessa época não abria domingo.

Convencemos o sujeito a pelo menos tentar. Se lá chegássemos, na volta daríamos um jeito.

Entramos no carro e fomos de voada a Silvestre. Lá chegando... e agora, onde assistir a corrida? Não conhecíamos ninguém que morava lá...

Saímos procurando pela cidade e de repente ouvimos o som da chamada da corrida dentro do que parecia a porta de um botequim ainda fechado.

Batemos, o cabra abriu, contamos nosso drama e ele, que iria abrir o bar só pro almoço, topou nos receber pra assistir a corrida.

Sentamo-nos então em frente a uma TV bem velha, P&B, bem na hora da largada!

O resto... bom o resto é História!